GASTRONOMIA
DO RIO GRANDE DO NORTE
por
Maria Marluce Gomes
A gastronomia
potiguar tem suas raízes no período da colonização
e do povoamento do estado, sendo resultado da aculturação
do português, índio e negro. Dentre estes se pode afirmar
que os índios foram os maiores contribuidores, pois alimentavam-se
basicamente dos frutos do mar, o Potiguar (potiguares, no plural),
denominação dada a quem nasce ou reside no estado
do Rio Grande do Norte (ou também norte-rio-grandense ou
rio-grandense-do-norte), nome dado em alusão aos Potiguaras,
que eram os nativos que habitavam a região litorânea
do que hoje são os estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba.
E Potiguaras em tupi-guarani quer dizer comedor de camarão.
É
importante lembrar que sendo uma localidade litorânea dispõe
de uma variedade de saborosos pratos de frutos do mar e de peixes,
como: caranguejadas, peixe frito, camarão ao coco, ensopado
de ostras, ginga com tapioca e inúmeras guloseimas com lagosta,
que já estão incorporados à cozinha local pela
própria contingência da natureza.
Diante
da existência da quantidade e qualidade das frutas existentes,
como mangaba, caju, graviola, sapoti, cajá, pinha, siriguela,
jabuticaba, jaca, pitomba, carambola, pitanga, etc, é possível
saborear diversos sucos e sorvetes, caldas, molhos, doces em compotas
e cristalizados, além dos doces de: batata-doce, goiaba com
castanha, banana com coco, etc. pode-se ainda apreciar sobremesas
como: a baba-de-moça, o pé-de-moleque, o arroz doce,
cocadas e, diversos biscoitos vindos do Seridó, entre outros.
E prestando
uma devida homenagem aos nossos ancestrais indígenas que
nos ensinaram a usar a mandioca, para nós potiguares macaxeira,
da qual muitos derivados são feitos.
Com a chegada do turismo, uma maior importância foi dada à
gastronomia local, passou então a surgir, vários produtos
da cozinha interiorana do Rio Grande do Norte, até então
de pouca valorização pelos habitantes locais, assim
como pelos passantes.
Entretanto,
à exceção das iguarias já não
há como dissociar a nossa culinária das congêneres
nordestinas, especialmente dos estados de Pernambuco e da Paraíba,
senão pelo modo, pelo preparo, pelo manejo de pratos típicos.
Desponta
atualmente, como uma das "PIECES DE RESISTENCE" estadual,
o já consagrado camarão com pimenta, à moda
de Nísia Floresta, um produto culinário que tem atraído
expressivo fluxo de turistas e apreciadores nativos.
Como
já ficou esclarecido, "não é tarefa fácil
distinguir uma gastronomia norte-rio-grandense", seja porque
integramos um arquipélago cultural chamado nordeste, seja
em virtude da nossa vocação cosmopolita imposta pelos
sucessivos colonizadores portugueses e holandeses.
Outro
fator de alienação da nossa gastronomia é ditado
também pelo processo global: a industrialização
dos alimentos, como o seu forte apelo à comodidade e à
praticidade.
Observamos,
com certa inquietude, a gradual extinção dos nossos
hábitos alimentícios, permanecendo apenas como referência
cultural ou folclórica, em manifestação gastronômica
isolada sazonal ou em festivais.
MARIA MARLUCE GOMES é autora do livro:
HISTÓRIA DA GASTRONOMIA DO RIO GRANDE |