4º Festival Gastronômico da Pipa • 05 a 14 de outubro de 2007
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GASTRONOMIA DO RIO GRANDE DO NORTE
                                             por Maria Marluce Gomes

          A gastronomia potiguar tem suas raízes no período da colonização e do povoamento do estado, sendo resultado da aculturação do português, índio e negro. Dentre estes se pode afirmar que os índios foram os maiores contribuidores, pois alimentavam-se basicamente dos frutos do mar, o Potiguar (potiguares, no plural), denominação dada a quem nasce ou reside no estado do Rio Grande do Norte (ou também norte-rio-grandense ou rio-grandense-do-norte), nome dado em alusão aos Potiguaras, que eram os nativos que habitavam a região litorânea do que hoje são os estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba. E Potiguaras em tupi-guarani quer dizer comedor de camarão.
          É importante lembrar que sendo uma localidade litorânea dispõe de uma variedade de saborosos pratos de frutos do mar e de peixes, como: caranguejadas, peixe frito, camarão ao coco, ensopado de ostras, ginga com tapioca e inúmeras guloseimas com lagosta, que já estão incorporados à cozinha local pela própria contingência da natureza.
          Diante da existência da quantidade e qualidade das frutas existentes, como mangaba, caju, graviola, sapoti, cajá, pinha, siriguela, jabuticaba, jaca, pitomba, carambola, pitanga, etc, é possível saborear diversos sucos e sorvetes, caldas, molhos, doces em compotas e cristalizados, além dos doces de: batata-doce, goiaba com castanha, banana com coco, etc. pode-se ainda apreciar sobremesas como: a baba-de-moça, o pé-de-moleque, o arroz doce, cocadas e, diversos biscoitos vindos do Seridó, entre outros.
          E prestando uma devida homenagem aos nossos ancestrais indígenas que nos ensinaram a usar a mandioca, para nós potiguares macaxeira, da qual muitos derivados são feitos.
Com a chegada do turismo, uma maior importância foi dada à gastronomia local, passou então a surgir, vários produtos da cozinha interiorana do Rio Grande do Norte, até então de pouca valorização pelos habitantes locais, assim como pelos passantes.
          Entretanto, à exceção das iguarias já não há como dissociar a nossa culinária das congêneres nordestinas, especialmente dos estados de Pernambuco e da Paraíba, senão pelo modo, pelo preparo, pelo manejo de pratos típicos.
          Desponta atualmente, como uma das "PIECES DE RESISTENCE" estadual, o já consagrado camarão com pimenta, à moda de Nísia Floresta, um produto culinário que tem atraído expressivo fluxo de turistas e apreciadores nativos.
          Como já ficou esclarecido, "não é tarefa fácil distinguir uma gastronomia norte-rio-grandense", seja porque integramos um arquipélago cultural chamado nordeste, seja em virtude da nossa vocação cosmopolita imposta pelos sucessivos colonizadores portugueses e holandeses.
          Outro fator de alienação da nossa gastronomia é ditado também pelo processo global: a industrialização dos alimentos, como o seu forte apelo à comodidade e à praticidade.
          Observamos, com certa inquietude, a gradual extinção dos nossos hábitos alimentícios, permanecendo apenas como referência cultural ou folclórica, em manifestação gastronômica isolada sazonal ou em festivais.

MARIA MARLUCE GOMES é autora do livro:
HISTÓRIA DA GASTRONOMIA DO RIO GRANDE
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